Saúde recebe primeiro lote de medicamentos de 35 milhões de dólares com novo sistema de rastreabilidade

Saúde recebe primeiro lote de medicamentos de 35 milhões de dólares com novo sistema de rastreabilidade

novo mecanismo pretende acompanhar medicamentos desde entrada no sistema até hospitais e combater roubos, desvios e má gestão

O Serviço Nacional de Saúde recebeu, esta segunda-feira, 14 de Setembro, o primeiro lote de medicamentos e material médico-cirúrgico adquirido com apoio financeiro do Banco Mundial, no âmbito de um investimento global estimado em 35 milhões de dólares norte-americanos.

A entrega aconteceu no Armazém Central de Medicamentos (CMAM), no Zimpeto, cidade de Maputo, numa cerimónia que contou com a presença do ministro da Saúde, Ussene Isse, e do representante do Banco Mundial em Moçambique, Fily Sissoko.

A grande novidade desta entrega é a introdução de selos de rastreabilidade nos produtos hospitalares, um mecanismo que permitirá acompanhar o percurso dos medicamentos e materiais ao longo da cadeia de abastecimento, desde a entrada no sistema até à chegada às unidades sanitárias.

Entre os produtos do primeiro lote estão luvas, gesso, material de penso, anestésicos e outros materiais médico-cirúrgicos.

O ministro da Saúde explicou que a aquisição de medicamentos pode levar entre 18 e 24 meses, devido aos procedimentos de contratação e ao facto de grande parte dos produtos hospitalares ser importada.

Ussene Isse destacou, entretanto, que o principal desafio não é apenas aumentar os stocks, mas garantir que os medicamentos cheguem efectivamente aos pacientes.

Segundo o governante, o novo sistema de rastreabilidade faz parte das reformas do sector da Saúde e pretende reduzir casos de roubo, desvio e má gestão de medicamentos, permitindo identificar o percurso dos produtos e reforçar a responsabilização.

O ministro alertou, contudo, que o selo, por si só, não resolve todos os problemas. Defendeu o reforço da fiscalização, supervisão, vigilância e inspecção, com atenção especial ao papel da Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (ANARME).

O apoio do Banco Mundial deverá continuar. De acordo com Ussene Isse, 50% dos kits de medicamentos já foram pagos e deverão ser distribuídos pelas unidades sanitárias, incluindo as de nível comunitário.

Perante gestores hospitalares, o ministro apelou ao controlo rigoroso dos produtos recebidos, defendendo que cada medicamento e material médico-cirúrgico utilizado seja devidamente contabilizado.

Para Ussene Isse, aumentar os stocks só terá verdadeiro significado se isso resultar em melhor atendimento e melhoria concreta da vida dos pacientes.

Por sua vez, Fily Sissoko defendeu que o aumento da disponibilidade de medicamentos deve andar lado a lado com mecanismos rigorosos de controlo, rastreabilidade e prestação de contas.

O Banco Mundial recomendou ainda o reforço dos sistemas de informação, da distribuição, da governação e da transparência, bem como a identificação de falhas e responsabilização dos intervenientes.

A expectativa é que o novo sistema permita acompanhar melhor os medicamentos dentro da rede pública e reduzir as perdas, garantindo que os produtos adquiridos com recursos públicos cheguem a quem realmente precisa deles.
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